Configuração de Serviços DHCP
Todo computador conectado a redes IP precisa, para se comunicar, de uma identificação numérica. Esta identificação é conhecida como endereço IP.
O endereço IP pode ser atribuído de forma estática ou dinâmica.
Endereços IP atribuídos estaticamente possuem algumas desvantagens. Sempre que um equipamento for movido de uma rede para outra o endereço IP tem que ser alterado manualmente, o que pode envolver uma consulta ao administrador de redes. Adicionalmente, cada rede IP possui um gateway distinto, que também precisa ser indicado na configuração do equipamento.
Endereços atribuídos dinamicamente oferecem uma flexibilidade maior. Libertam o usuário de conhecer detalhes sobre a configuração de sua máquina, permitindo-lhes uma maior mobilidade dentro da rede. Tudo o que é necessário é desconectar o equipamento de um ponto e ligá-lo em outro e tudo continuará funcionando normalmente. Usuários de computadores portáteis se beneficiam ainda mais, pois ficam livres de constantemente terem que identificar endereços IP livres nas redes em que irão trabalhar.
A atribuição dinâmica de endereços IP é feita através do protocolo DHCP ou Dynamic Host Configuration Protocol. Seu uso e configuração, tanto do lado do cliente como do servidor, é extremamente simples.
Faremos a seguir uma exposição dos passos necessários para configurar um servidor e um cliente DHCP. Tomaremos como base, para a configuração do servidor, sistemas GNU/Linux. Como clientes abordaremos a configuração de sistemas GNU/Linux.
Nesta exposição tomaremos como base sistemas GNU/Linux baseados na distribuição Red Hat. São dois os pacotes que implementam o serviço DHCP: dhcp e dhcpcd. O primeiro deles, dhcp, é o código do servidor e o segundo, dhcpcd (DHCP Client Daemon) implementa o código cliente.
O primeiro passo é realizar a instalação do pacote dhcp:
# rpm -ivvH dhcp-2.0-5.i386.rpm (Red Hat)
# apt-get install dhcp-server (Debian)
O comando rpm implementa tarefas relacionadas com gerenciamento de software: instalação, verificação, remoção e consultas. No exemplo acima o pacote dhcp foi instalado. O próximo passo é a criação do arquivo de configuração, /etc/dhcpd.conf. Este arquivo conterá diretivas que irão regular o funcionamento do servidor dhcp.
Passemos então à análise de um arquivo de configuraçao típico.
default-lease-time 600;
max-lease-time 7200;
option subnet-mask 255.255.255.0;
option broadcast-address 255.255.255.255;
option routers 192.168.1.1;
option domain-name-servers 143.106.80.11, 143.106.1.5;
option domain-name “ccuec.unicamp.br”;
authoritative;
subnet 192.168.1.0 netmask 255.255.255.0 {
range 192.168.1.10 192.168.1.100;
range 192.168.1.150 192.168.1.200;
}
Analisemos cada uma das opções:
default-lease-time 600;
Servidores DHCP cedem endereços sob pedido por um tempo pré-determinado.O padrão neste exemplo é ceder o endereço IP por 600 segundos, ou 10 minutos.
max-lease-time 7200;
Caso o cliente solicite um tempo maior, o tempo máximo permitido será de 7200 segundos (2 horas)
option subnet-mask 255.255.255.0;
Esta opção define a máscara de subrede a ser fornecida aos clientes
option broadcast-address 255.255.255.255;
Esta opção define o endereço de envio para requisições de broadcast
option routers 192.168.1.1;
O cliente, além do número IP, recebe também a informação do número do equipamento que é o gateway de sua rede.
option domain-name-servers 143.106.80.11, 143.106.1.5;
Esta opção lista os servidores de nomes (DNS) a serem utilizados para resolução de nomes.
option domain-name “ccuec.unicamp.br”;
Esta máquina pertence ao domínio ccuec.unicamp.br
subnet 192.168.1.0 netmask 255.255.255.0 {
range 192.168.1.10 192.168.1.100;
range 192.168.1.150 192.168.1.200;
}
Esta opção lista a subrede à qual o equipamento pertence e a máscara de rede utilizada. A seguir encontra-se a faixa de endereços IP que pode ser fornecida pelo servidor DHCP aos seus clientes. A primeira linha indica que podem ser fornecidos endereços na faixa de 192.168.1.10 a 192.168.1.100 e a segunda linha especifica os endereços entre 192.168.1.150 e 192.168.1.200
Uma vez criado o arquivo /etc/dhcpd.conf, conforme as características da rede em questão, resta configurar a ativação automática do daemon dhcpd. Isto pode ser feito através do utilitário ntsysv, ou através da edição direta dos links em /etc/rc.d.
Para teste do ambiente, ativar o daemon dhcpd:
# cd /etc/rc.d/init.d
# ./dhcpd start
As mensagens de registro de atividades do servidor DHCP são registradas no arquivo /var/log/messages:
Exemplos: IP Fixo
# Máquina (melhor, placa de rede) com IP fixo
host host1 {
hardware ethernet 00:80:C8:35:5D:12;
fixed-address 192.168.0.1;
}
# Outro IP fixo
host host2 {
hardware ethernet 00:10:60:88:3D:BE;
fixed-address 192.168.0.4;
}
}